Aos 16 anos, Marcondes Bezerra de Souza é uma das vítimas da enfermaria 999, como é chamado oficialmente um dos corredores do Hospital Municipal Lourenço Jorge — o nome consta de um documento emitido pela unidade, conforme o EXTRA revelou nesta quinta-feira. O menino — que deu entrada na unidade com meningite meningocócica — passou 17 horas no local improvisado até ser transferido para a UTI e, só então, medicado. O tempo pode não parecer tão longo, mas foi determinante para a evolução da doença: Marcondes ficou com metade do corpo paralisado e terá que amputar o pé esquerdo e parte do direito.
— Ele ficou das 5h às 10h sem diagnóstico. Depois, permaneceu até as 22h aguardando exames. Só aí foi para a UTI e começou a ser medicado — conta uma médica da unidade que prefere não ser identificada.
Risco de contaminação
A falha colocou em risco não apenas a vida do menino, mas a de dezenas de outras pessoas que também estavam na enfermaria 999, aguardando vagas em leitos regulares. A bactéria que causa a doença é altamente transmissível.
— A meningite meningocócica é uma emergência infecciosa. Quanto mais demora no tratamento, maior a chance de complicações graves. De cada cem doentes, 20 evoluem para a morte — alerta o infectologista da UFRJ Edmilson Migowski.
No caso de Marcondes, a meningite evoluiu para meningococcemia (quando o microorganismo entra na corrente sanguínea e se espalha pelo corpo). O menino passou dez dias em coma induzido. Na última terça, foi transferido para a Unidade Intermediária (UI).
— Ele fala ‘mãe, eu vou ser um inútil sem os pés’. Eu dou força, explico que ele vai superar. Fico forte na frente dele — desabafa a cuidadora de idosos Maria de Fátima Bezerra dos Santos, de 45 anos.
Na manhã de ontem, o vice-presidente da Comissão de Saúde da Câmara dos Vereadores, Paulo Pinheiro, visitou o Lourenço Jorge e constatou diversas irregularidades. Segundo ele, havia 71 pacientes na emergência, sendo 23 nos corredores. Algumas macas continuavam no chão, como denunciado e, mesmo nos quartos, a superlotação era visível.
— É uma situação grave que também acontece, infelizmente, em outros hospitais públicos. Faltam vagas e também profissionais. Só no Lourenço, faltam seis clínicos e seis pediatras para os plantões — afirma o vereador.
Fonte : Jornal extra

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